segunda-feira, 22 de abril de 2013

Rebobina de Novo

Cada gesto, cada riso,
é tudo imitação.
É tudo inspiração
pra ver se aprende a ser normal.
Não há nada criativo,
não há nada de agradável.
Causa pena?
Que pena!
Não é esse o objetivo.
Mas quando as pessoas olham
apenas para as primeiras camadas
e
esquecem de começar a olhar
primeiro por
dentro,
não há autenticidade mais brilhante
que possa ser percebida.

Trago o teu traço fraco
gravado na pele,
mas ele logo me abandona.
Tudo logo me abandona,
nada mais a fazer.
Melhor partir em direção
a um novo começo.
Adeus!

É um péssimo dia,
então não o chame por bom.
Minha dose não contada
não me fez perder a consciência noite passada
e eu só fui dormir
quando meus olhos já ardiam demais
para continuar chorando.

Disseram a ele:
"não viva de arte,
pois a beleza da tua arte vem da tristeza
e isso vai fazer sua vida triste também."
Mas nenhum de nós ligou.
Pois, afinal,
nossa vida já era triste assim mesmo,
sem arte.
Então melhor triste com ela do que sem ela.

E eu ainda passava um dia ou outro
me perguntando
quando eu poderia acordar e lidar
com os sentimentos ruins
de forma tranquila
e tudo sempre ficaria bem.
Quando eu me tornaria de vez
alguém mais positivo.

Rebobina.

E eu ainda passava um dia ou outro
me perguntando
quando eu deixaria de querer a presença dos outros
na minha vida,
de querer meu coração preenchido por carinho, ternura e
amor.
Quando eu não ligaria mais mesmo para nada
e
me tornaria de vez
a pessoa mais fria do mundo.

Rebobina.

E eu ainda passava um dia ou outro
me perguntando...

terça-feira, 9 de abril de 2013

Passos dos Contos Infantis

Não sentia vontade de me envolver
nas fitas vermelhas e brancas
que circulavam a visão de um espaço distante
que guardava o grito dos corpos.
Mas por estar só
eu
me envolvia.
Pois haviam retirado de mim
minhas vontades,
meus prazeres,
minha confiança em meus dons,
e então eu era inútil,
pessoa desnecessária,
e não traria vantagens para
ninguém.
Eu me rodopiava em minha agonia,
das horas marcadas em minhas expressões,
envelhecia anos a cada segundo.
Eu previa o meu futuro
igual ao meu presente,
e o cubículo assassino no qual eu me encontrava
fazia eu me perder em
desespero.
Cada lágrima que descia suja
trazia as marcas vivas
de cicatrizes latejantes do
passado.
Eu me via
no espelho da loucura.
Eu era
o reflexo
da solidão.
Sem proteção,
sem salvadores,
sem conselheiros,
sem companheiros.
Cada frase crescente apenas me diria
que era meu costume de nascença
ser
triste.
E no outro dia,
quando eu continuasse piorando como uma doença,
não haveria cavaleiros com espadas
e seus saltos mortais
além dos que eram apenas
capazes de proteger a minha mente,
mas não o meu
coração.
Só quando eu recuperasse o meu caminho
e cada tijolo amarelo asfaltado
estivesse no lugar,
eu poderia respirar o ar
da natureza à qual me curvo.
Que ela me traga a sabedoria
para ser livre do mundo,
e assim ser
feliz.