terça-feira, 9 de abril de 2013

Passos dos Contos Infantis

Não sentia vontade de me envolver
nas fitas vermelhas e brancas
que circulavam a visão de um espaço distante
que guardava o grito dos corpos.
Mas por estar só
eu
me envolvia.
Pois haviam retirado de mim
minhas vontades,
meus prazeres,
minha confiança em meus dons,
e então eu era inútil,
pessoa desnecessária,
e não traria vantagens para
ninguém.
Eu me rodopiava em minha agonia,
das horas marcadas em minhas expressões,
envelhecia anos a cada segundo.
Eu previa o meu futuro
igual ao meu presente,
e o cubículo assassino no qual eu me encontrava
fazia eu me perder em
desespero.
Cada lágrima que descia suja
trazia as marcas vivas
de cicatrizes latejantes do
passado.
Eu me via
no espelho da loucura.
Eu era
o reflexo
da solidão.
Sem proteção,
sem salvadores,
sem conselheiros,
sem companheiros.
Cada frase crescente apenas me diria
que era meu costume de nascença
ser
triste.
E no outro dia,
quando eu continuasse piorando como uma doença,
não haveria cavaleiros com espadas
e seus saltos mortais
além dos que eram apenas
capazes de proteger a minha mente,
mas não o meu
coração.
Só quando eu recuperasse o meu caminho
e cada tijolo amarelo asfaltado
estivesse no lugar,
eu poderia respirar o ar
da natureza à qual me curvo.
Que ela me traga a sabedoria
para ser livre do mundo,
e assim ser
feliz.

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