segunda-feira, 20 de maio de 2013

Pro Resto Da Vida

Faz assim,
pega o primeiro voo que aparecer
eu dou um jeito e parcelo em mil vezes
um empréstimo com alguém
para pagar o resto da passagem
que você não tiver o dinheiro.
Apenas para te ter comigo
essa noite.

Não que eu esteja mal,
ou esteja tão só,
quero te olhar
profundamente.
Poder sorrir com o teu sorriso,
suspirar de alívio
por você estar aqui.
Para eu poder te observar dormir
e quase me empurrar da cama de solteiro
enquanto eu faço isso.
Poder acordar amanhã
e te arrastar para a minha aula,
mesmo que você pudesse ficar dormindo.
Apenas para te ter comigo
essa manhã.

E matar essa vontade do teu beijo,
suave e apaixonado,
no meu feroz e
apaixonado também.
Te arrancar a pele para guardar de lembrança,
me permitir essa memória específica do teu toque.
Porque eu nunca pararia de falar de você,
e do quanto te quero todo dia
e como não consigo te largar mais
e como quero te descrever fielmente,
pedaço por pedaço.
Por isso quero te olhar em todas as perspectivas,
e para isso preciso de tempo.
Essa é a minha desculpa mais bonita.
Apenas para te ter comigo
pro resto da vida.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Entrelinhas

Da próxima vez
presto mais atenção no que peço pro
universo.
Não imploro por sentimentos sem deixar claro
que deve ser recíproco
e deve durar um tempo mínimo
e não deve restar dúvidas de que é verdadeiro.
Vou tomar cuidado
quando quiser me livrar também,
para não me esvaziar demais
e murchar tanto quanto estou
agora.
Dessa vez,
por enquanto,
vou seguir de novo com a maré,
deixar que as tempestades cheguem,
pra ver se me levam mais rápido
para a terra firme.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Rebobina de Novo

Cada gesto, cada riso,
é tudo imitação.
É tudo inspiração
pra ver se aprende a ser normal.
Não há nada criativo,
não há nada de agradável.
Causa pena?
Que pena!
Não é esse o objetivo.
Mas quando as pessoas olham
apenas para as primeiras camadas
e
esquecem de começar a olhar
primeiro por
dentro,
não há autenticidade mais brilhante
que possa ser percebida.

Trago o teu traço fraco
gravado na pele,
mas ele logo me abandona.
Tudo logo me abandona,
nada mais a fazer.
Melhor partir em direção
a um novo começo.
Adeus!

É um péssimo dia,
então não o chame por bom.
Minha dose não contada
não me fez perder a consciência noite passada
e eu só fui dormir
quando meus olhos já ardiam demais
para continuar chorando.

Disseram a ele:
"não viva de arte,
pois a beleza da tua arte vem da tristeza
e isso vai fazer sua vida triste também."
Mas nenhum de nós ligou.
Pois, afinal,
nossa vida já era triste assim mesmo,
sem arte.
Então melhor triste com ela do que sem ela.

E eu ainda passava um dia ou outro
me perguntando
quando eu poderia acordar e lidar
com os sentimentos ruins
de forma tranquila
e tudo sempre ficaria bem.
Quando eu me tornaria de vez
alguém mais positivo.

Rebobina.

E eu ainda passava um dia ou outro
me perguntando
quando eu deixaria de querer a presença dos outros
na minha vida,
de querer meu coração preenchido por carinho, ternura e
amor.
Quando eu não ligaria mais mesmo para nada
e
me tornaria de vez
a pessoa mais fria do mundo.

Rebobina.

E eu ainda passava um dia ou outro
me perguntando...

terça-feira, 9 de abril de 2013

Passos dos Contos Infantis

Não sentia vontade de me envolver
nas fitas vermelhas e brancas
que circulavam a visão de um espaço distante
que guardava o grito dos corpos.
Mas por estar só
eu
me envolvia.
Pois haviam retirado de mim
minhas vontades,
meus prazeres,
minha confiança em meus dons,
e então eu era inútil,
pessoa desnecessária,
e não traria vantagens para
ninguém.
Eu me rodopiava em minha agonia,
das horas marcadas em minhas expressões,
envelhecia anos a cada segundo.
Eu previa o meu futuro
igual ao meu presente,
e o cubículo assassino no qual eu me encontrava
fazia eu me perder em
desespero.
Cada lágrima que descia suja
trazia as marcas vivas
de cicatrizes latejantes do
passado.
Eu me via
no espelho da loucura.
Eu era
o reflexo
da solidão.
Sem proteção,
sem salvadores,
sem conselheiros,
sem companheiros.
Cada frase crescente apenas me diria
que era meu costume de nascença
ser
triste.
E no outro dia,
quando eu continuasse piorando como uma doença,
não haveria cavaleiros com espadas
e seus saltos mortais
além dos que eram apenas
capazes de proteger a minha mente,
mas não o meu
coração.
Só quando eu recuperasse o meu caminho
e cada tijolo amarelo asfaltado
estivesse no lugar,
eu poderia respirar o ar
da natureza à qual me curvo.
Que ela me traga a sabedoria
para ser livre do mundo,
e assim ser
feliz.

sábado, 30 de março de 2013

Playlist

Tudo começa quando acordo,
trago um novo respiro,
fecho os olhos novamente
e, então, sorrio.
Ao levantar da cama,
me livrar do gosto de sono
na boca.
Nesse momento de mente limpa,
se mantém certa pureza.
Todos os pensamentos esquecidos,
os ensinamentos adormecidos,
e não consigo lembrar dos meus sonhos.
Sonhei com alguém que tinha quatro bundas,
disso me recordo com clareza.
Algo tão assim...
diferente.
E no meu questionamento,
entre as mensagens com o vazio,
fui me perdendo no espaço,
nos dias,
nas horas de Bete Balanço,
para incluir um pouco de música
no meu momento de inspiração.
Nesse perder de dias,
perdi a sensibilidade.
Minha língua dormente,
acompanha a dormência do meu corpo
por completo
- todos os órgãos -
e da minha mente.
E então meus olhos imploram lágrimas,
para que eu lembre que eles existem,
para que eu lembre que eu existo.
E seguindo a sequência,
eu também me coloco a pedir Piedade.
Pois,
mesmo que eu não seja careta,
vez ou outra sou covarde
também.

Um Dia

Tão comum é se perder
dentro do próprio coração,
esquecer as frases de sentimentos
efêmeros.
Do dia de acordar feliz,
acordar em paz.
Da noite de dormir só,
chorar.
Chorar pelo desconhecido,
o que é incompreendido.
Viajo em pensamentos confusos,
repletos de condições,
inconstantes.

terça-feira, 26 de março de 2013

Quando Os Dois Se Desencontram

E o primeiro disse: "Foi inusitado perceber o que ela sentia por mim. Estranho receber aquelas poesias como declaração. Eu não disse nada, eu não queria dizer nada, eu não precisava dizer nada. Eu apenas ignorei tudo aquilo por nunca poder olhá-la daquela forma. Eu imagino que ela tenha sofrido, mas não há nada que eu pudesse fazer. Eu mal a conhecia. E eu não tinha essa obrigação. Hoje?Não me lembro mais dela, e não me interessa saber se ela se lembra de mim."
E o terceiro disse: "Não havia nada mais a ser dito, mas, mesmo assim ela esperava uma resposta. Todos os dias, ela olhava para mim e eu não a via, eu não lembrava mais que ela existia. Continuo não me lembrando mais. Mas ela me dava apenas um pouco mais de importância do que eu dava. Só que eu não dava nenhuma. Ela gostava de mim e poderia ter gostado muito mais se eu tivesse gostado dela também, e se conseguisse gostar só dela. Esse é o meu jeito de viver, de seguir e sentir os momentos que são passageiros, são brisas de flor ou brisa que traz o cheiro de esgoto."
E o segundo disse: "Eu a amei de uma forma que nunca soube explicar. Difícil entender como aquela aparente arrogância pôde me seduzir. Eu tive certo receio de falar qualquer coisa, até mesmo de me aproximar. Não sabia como ela reagiria, não sabia o que ela me diria, não queria lidar com a rejeição. Quando cruzei com ela e, em um ímpeto de loucura, decidi chamá-la, começamos a conversar e eu tentava não revelar nada, mas ela já tinha entendido e me conduzia a dizer. Então eu disse, querendo fechar os olhos e tapar meus ouvidos para o 'Não' que esperava dela. Mas ela me disse que sim, e em um dia qualquer para ela - que foi um dia que nunca esqueci - eu a tive por meio tempo. Sem que eu pudesse esperar, ela simplesmente me afastou e eu não soube o que dizer, o que fazer. Achava que tinha feito algo errado, mas ela disse que não. Eu não sabia que era porque ela amava outro. Mas ela me disse que nunca mais poderíamos ter nada. Eu a amei, e não sei se algum dia poderei esquecê-la."
E o quarto disse: "Eu a conheci em um show meu, a vi lá de cima do palco e não conseguia parar de olhá-la. Ela estava com algumas pessoas que conhecia, então aproveitei para falar com ela. Ela nem se lembrava de mim quando a vi de novo, e nem imaginava que a veria de novo. Mas eu me lembrava dela e eu a queria da mesma forma que naquela dia. Quando começamos a nos aproximar, ver-nos quase todo dia, meu peito se encheu de prazer e bem estar, eu não poderia estar mais feliz, mesmo que ela me dissesse repetidas vezes que estava em um relacionamento complicado. Ela sabia o que eu sentia, as minhas indiretas haviam sido bem diretas e eu sabia disso. O dia em que ela saiu daquele relacionamento complicado e se abriu para mim foi realmente marcante, nada poderia ser melhor naquele momento. Nada poderia ser melhor do que aqueles dias, poucos dias, que tive com ela. Poucos. Porque ela me disse que não poderíamos ter mais nada, que ela não conseguia sentir nada por mim. Perguntei dos meus erros, se poderia corrigi-los, mas ela disse que o melhor era realmente sermos amigos. Amigos. Todo mundo sabe onde isso termina. Cada um em seu canto, sem nunca mais nos vermos, sem nunca mais nos falarmos. Sem nunca mais. Eu gostava dela e eu poderia ter dado tudo aquilo que ela sonha, tudo que deseja no homem que estiver do seu lado. Mas ela não gostava de mim, ela simplesmente não conseguia, não podia. Ela não queria me enganar nem se enganar. E, mesmo com o tempo que já passou, ainda guardo uma certa inconformidade com isso. Não queria perdê-la."
E o enésimo, o ser desconhecido, disse: "Não, não a conheço ainda. Ou talvez sim. Eu não a percebi ainda, ela ainda não me percebeu. Talvez o momento de nos encontrarmos demore. Mas eu espero por ela, espero que ela goste de mim assim como sei que vou gostar dela. Espero que ninguém a impeça de chegar até mim. Espero que ela não desista no meio do caminho, porque não desistirei dela. Enquanto não estiver com ela, não vou me satisfazer. Talvez ela possa conseguir viver feliz sem mim, mas eu não consigo. Eu tenho tudo o que ela pode esperar de mim. Não sou convencido, apenas sei disso. Sei ser paciente, mas espero todos os dias que ela não demore."
Ela disse, então: "As minhas falas começam com o não. O 'não amo ninguém', 'não quero ninguém agora', 'não quero correr o risco de sofrer de novo'. Reconheço a minha estupidez, todo esse tempo, quando poderia ter sido feliz e não fui. Eu só não conseguiria me forçar a amar ninguém. Sou do tipo que ama demais, mas não escolho quem amo, apenas escolho quem não amo... vez ou outra. Tenho estado bem assim, aprendi a lidar com o fato de estar sozinha e não deposito mais a minha felicidade em ninguém. Aos poucos, eu a tenho conquistado sem precisar de ajuda. Mas é inevitável. Em um momento de uma noite inesperada, quando ninguém parece estar ali para me escutar, eu sinto falta do abraço que me conforte, que me traga um pouco de paz e de amor. Poderiam dizer que tudo isso foi minha culpa, por muito tempo me culpei por cada detalhe, cada acontecimento. Mas aprendi que a vida segue o seu curso, eu apenas tenho que deixá-la seguir e seguir."

quinta-feira, 21 de março de 2013

Um Pouco De Desatino

Cansei.
Dessas tantas palavras sutis.
Eu quero revolta,
eu quero raiva,
eu quero qualquer coisa
que movimente os meus dias de monotonia.
Beijos descontrolados e doídos,
beijos sem gosto e sentimento,
beijos corridos.
Qualquer passo a mais,
com mais rock,
e menos sambas tranquilos e amorosos.
Porque se é para não sentir nada,
que eu também não sinta falta
de sentir alguma coisa.
Reconheço os possíveis desequilíbrios,
mas ainda desejava um pouco de loucura.
É que eu me sinto meio sem cura,
eu me sinto fora de controle,
por estar assim tão bem,
tão pacificamente como uma estátua.
Queria até fazer qualquer porcaria,
da qual eu pudesse me arrepender.
Tudo bem, tudo bem,
nada que me causasse mal também.
Mas é que uma dose de desatino faz bem.
Tudo bem, tudo bem,
sério,
tudo bem.
Eu já dei o meu respiro
em um dos mil lugares que criei
para fugir das maldições da realidade
e eternizar os bons beijos,
os bons abraços,
os bons carinhos,
o bom sexo - péssimo sexo,
um relance de amor,
um relance de vida.

sábado, 16 de março de 2013

Uma História Qualquer...

Certo dia eu encontrei na esquina perto da minha casa, às 4 horas da madrugada, uma menina bonita e de aparentemente doce, com um vestido preto curto e meio gasto, que me disse que não estava ali para se prostituir. Ela procurava o amor. Eu perguntei a ela o que havia acontecido para que ela estivesse ali daquele jeito, com a maquiagem um pouco borrada e já sumindo, parecendo que estava assim há dias. Eu tinha bebido um pouco e estava voltando de uma festa, mas mesmo assim me sentei ali do lado dela para ouvir a história que ela se dispôs a me contar:
"O que acontece?É que eu era muito insegura. Eu ficava sozinha no meu canto, sem tentar muita comunicação com as pessoas. Amigos?Sim, eu tinha. Eu tenho. Mas nunca estive tão incluída, eu sempre era a mais afastada. Eu estava sozinha, meu bem. Sozinha, desejosa de amor. E o que me aparece?Alguém de lugar nenhum, de jeito bandido, que me envolve e faz querer beijos antes de dormir. E eu os tive. Eu consegui o que queria.
Sim, eu assumo, eu já me prostituí antes. Antes disso tudo, em outra vida. Eu tinha apenas os meus 13 anos. E era a única forma que eu conhecia de encontrar homens que pareciam se interessar por mim. Mesmo que por uma noite. Mas ele... ele me quis no outro dia também, e nós ainda nem tínhamos feito nada demais, só ficamos nos olhando cobertos pelo lençol macio e surpreendentemente limpo da cama dele. A lua estava cheia e jogava seu brilho sobre nós, cruzando os fios entrelaçados do algodão e fazendo os olhos esverdeados dele brilharem para mim. Eu o tive aquela noite sem precisar me entregar a ele. Sem que ele me possuísse. Assim se seguiram muitas noites, e eu fui ficando feliz, eu fui me sentindo bem e aberta para o mundo. Ele me tocou e eu me arrisquei a dizer que o amava, e ele assim também me disse, mas já ali eu sentia que havia algo errado.
Uma semana depois, eu voltei à casa dele. Não havia ninguém. Bati o máximo que pude, mas um vizinho chegou até mim e me disse que ele não morava mais lá. Esse tempo todo, sem notícias, ele não havia me dito mais nada. Liguei para o número que ele tinha me dado uma vez e ele não atendia. Eu senti um nó no peito, pensando até que algo de ruim poderia ter acontecido, mas no fundo eu já sabia.
Quando chego em casa, já tarde da noite, molhada de uma chuva descomunal surgida de lugar nenhum, tropeço em um bilhete colocado por debaixo da porta. Parecia ter sido amassado na tentativa de jogar fora e depois reaberto, buscando uma mesma forma, que não poderia existir, para não demonstrar falta de coragem. Eu li cada palavra, cada letra azul meio borrada, cada parte riscada, cada erro, tentando fazer com que os detalhes pudessem me fazer entender os fatos realmente. Ele apenas me disse o que eu já imaginava desde o começo: ele não era capaz de me amar. Ele não era capaz de amar ninguém. Todo o carinho, os olhos brilhando, eram só efeitos da lua e de algumas drogas que usamos juntos. No final, ele era um grande covarde. E sabe o que eu senti?"
Parei um segundo, até perceber que ela estava esperando a minha resposta: "O quê?"
"Nada!Não senti nenhuma raiva. Não me senti traída, abandonada, não senti uma dor no peito. Ele apenas tinha ido e estava tudo bem. Ao mesmo tempo que aquilo mexia comigo, não me afetava. Eu descobri que eu não o amava também. Eu descobri que eu tinha conseguido não sentir absolutamente nada por ele. E foi algo que ultrapassou o limite do desejo. Simplesmente foi uma história, uma lembrança, um fato a ser guardado como experiência, que não deixou de ser algo profundo. Mas olha que contraditório: sabe quantos anos eu tenho?"
"Quantos?"
"34. E sabe quando tudo isso aconteceu?"
Fiquei em choque em saber a idade dela - ela me parecia muito mais nova-, mas não demorei a falar: "Quando?"
"Há 14 anos atrás. Eu tinha 20 anos! E eu não esqueci. Eu simplesmente não esqueci que naquele tempo eu não amava ninguém e, até hoje, não consegui amar ninguém. E é por isso que estou aqui essa noite. Com o mesmo vestido que usava quando o conheci. Sabe, continuo com o mesmo corpo daquela época." Ela soltou um único riso meio morto. "Seja como for, sentei aqui para esperar."
"Esperar o quê?"
"Eu já te disse, oras. O amor!"
"Em um ponto de prostituição?"
"Claro. Veja só, eu não te encontrei?Era por ti que eu esperava."
"Por mim?" Não conseguia compreender.
"Sim." Ela sorria. "Por alguém que fosse me ver aqui, perceber que não estou aqui pelo motivo que se poderia esperar e sentar para conversar comigo. Demonstrar interesse, mesmo que a bebida tenha te alterado um pouco. Quer amor melhor?Obrigada, meu bem. Eu finalmente encontrei o que esperei esses anos todos. O vazio não me dói mais. Não sou mais vazia."
Ela se levantou em um só passo e saiu, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. Fiquei ali sem entender muito bem o que tinha acontecido enquanto a via caminhar leve, feliz e de forma delicada e meiga, tão contrária à ideia que o seu vestido passava. Tentava tirar alguma conclusão de toda aquela história, da vida daquela mulher, daquela espécie de desilusão amorosa sem amor. Mas não havia nenhuma lição a ser aprendida. Aquilo era apenas a vida.

segunda-feira, 11 de março de 2013

E Se a Resposta For Sim?

Vezes que eu penso no passado
e dá vontade
de responder agora as antigas
questões sem resposta.
De perguntar sobre o que faltou ser dito,
ouvir o que não me deixei ouvir.
Mas há histórias
que não devemos mexer.
Tem passado que tem
que deixar passado.
E se faz tanto tempo,
deixar que o tempo vai diluir.
Ou então ir atrás de uma dúvida
que por um longo momento
alimentou uma esperança.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Do Que Estou Falando Mesmo?

Traz-me no dia o teu sorriso,
tento guardar o teu perfume
e teu olhar que me aprofunda,
pois chega a noite
eu me aquieto,
mas não deixo de sentir
vontade de ti.
Estranho pensar
que estou pensando demais.
Talvez seja a ausência,
querer desfazer
esse estado de estar só.
Da falta de jeito sério,
companhia esperada,
desejada verdadeiramente.
O meu papel é deixar que o tempo
me desfaça e acompanhe,
traga meu aconchego,
sejas tu ou seja um ser
ainda estranho.
Mas bem que eu queria
sentir tua carne crua
apertando a minha.
Massageando,
mais que a minha pele,
o meu coração.
Vou continuar me calando mesmo assim,
de mim nada sairá.
De mim.
E de ti.
Se por acaso me quisesses.
Mas afinal,
do que estou falando mesmo?
Chega dessa história de usar
a segunda pessoa do singular
entre as minhas palavras.
Deixar que venha
é bem mais fácil
que escrever esse tipo de poema.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Chocolate Acaba Rápido

E eu me coloco a devorar-me em chocolate
Pois me preencho de amor
até onde eu consiga tomar conta,
mas eu perco a conta
e a solidão me transparece
por um mísero segundo.
Suficiente para sentir saudade
do futuro,
e me deixar impaciente
por um instante.
Mas só por um instante.
Só até o chocolate acabar.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Carapaças Não São Ocas

Podes me olhar na face
e o mais profundo dos olhos que alcançar
e ver o nada,
ver vazio e frio.
Mas se isso vês, não olhas direito,
não sabes que é uma proteção
da minha alma e
do meu bater no peito,
querendo que os perigos nunca cheguem,
se iludindo ao pedir
que a vida seja mais tranquila sempre.
Pois nada vês,
mas meu coração pula, grita,
chora, sorri, dança e cai,
e ama,
e sofre.
sofre.
sofre.
então levanta.
sorri.
E todo esse processo tão longo e intenso,
é percebido apenas por mim.
É que não vou transmitir ao mundo negatividade.
Acreditar em coisas boas
depois dos pesos e barreiras
não chega a ser mais uma ilusão.

domingo, 3 de março de 2013

Para Que Eu Não Tenha Que Dizer Adeus

Rodeia-me em teus braços
não me importo com o queimar dos teus beijos
desde que sejam meus.
Ou que sejas tu,
e me carregue aos teus países na tua mala.
Permitir-me a te colocar dentro de mim,
Consumindo da tua natureza,
e que isso tudo dure mais que um dia.
Seja teu, ou outro teu,
seja qualquer teu,
quero o que seja meu,
com chocolate e sentimentos
e não parta cedo,
nem parta sem despedidas.

sábado, 2 de março de 2013

Suspiro Por Pessoas Desconhecidas

Eu podia dar bom dia ao meu bem
mas o meu bem não se faz disponível agora.
Porque o meu bem é alguém que guardo em mim,
que espero enquanto rodo a roda da vida e do tempo.
Acreditar nisso me torna inocente.
Mas mesmo assim acredito.
E o meu bem será do tipo que dança só comigo,
porque eu vou dançar só com o meu bem.
E será do tipo que faz canções para mim,
porque eu também farei essas canções exclusivas.
E verá o sol se por comigo,
e admiraremos juntos
a beleza da vida, da natureza e do nosso encontro.
É, sim, eu romantizo um pouco as coisas,
mas sem essa pitada de romance
e até um pouco de drama,
sem essa pitada sentimentalista,
vai, me diz:
teria realmente graça?

sexta-feira, 1 de março de 2013

Coisas Antigas 18: A Volta Dos Que Ressurgiram


Então me disponho a preencher palavras mais uma vez.
Na estrada há diferenças.
Não mais os onhos, ados, idos, elos, mas as onhas, adas, idas, elas.
Ela. Eu.
Eu que não reconheci nos pergaminhos do último século,
Mas já tinha escrito sobre tudo isso, já sentia tudo isso.
A prova de que sempre foi assim.
Não, não necessito mais de provas
A certeza já me consome há anos.
Anos que cabe aqui dizer fazem parte de meus enigmas em palavras,
Como todo o resto.
Porque o tempo não importa, não faz diferença,
dias, meses, anos, milênios.
A história é contada da mesma forma.
Continuo, traço a minha trajetória.
Quem esperaria chegar até aqui naquele tempo.
E toda a verdade foi jogada no ventilador,
mas não fez sujeira.
Fez grande sujeira, sujeiríssima, bem suja.
E eu não disse o que queria dizer.
Ainda bem.
Pois o silêncio me salvou.
O silêncio salvou o meu futuro, o meu destino.
Aprendi a acreditar na vida, aprendi a engolir os sapos.
As correntes serão quebradas por completo.
Na hora certa.
Depois de todo esse tempo, a paciência se tornou velha amiga;
esperar não vai fazer mal, criei meu casco, estou a me proteger.
Nem todos os torturadores do mundo serão capaz de me tirar
Do meu caminho.
E a maldita criatura, de tão maldita que é, continua.
Continua sendo incapaz de me atingir.
Falta tão pouco, e nunca mais terei de vê-la.
É um alívio, parece um sonho.
Morfeu, por favor, não me acorde, então.
E os meus sonhos continuam sempre vivos.
E os meus objetivos estão firmes, sigo em frente.
Sou incapaz de deixar para trás tudo o que quero.
Tudo o que sou.
Tudo o que mereço.
Vou lutar até o fim.
Só não digo que ou consigo ou morro tentando porque tenho certeza que vou conseguir.
Isso é fato.
Consumado.
Nada muda o que está por vir.
Tudo de bom, surpreendente, além das minhas expectativas.
E quem sabe aquele ser amado não volte também.
Não sei se quero, mas só o futuro dirá como essa parte da história terminará.


07 de Agosto de 2012.

Deixa o Passarinho

Deixa o passarinho cantar e voar seu voo
soltar-se da gaiola de asas inteiras.
Ele não se guia pelo teu ser hostil
por não poder controlá-lo.
O passarinho vai com o vento,
e o vento é livre sem limites.
Deixa o som do meu samba tocar,
o suor do meu corpo escorrer,
o ritmo flutuar mais uma vez no ar,
vou me perder no feliz viver.
Vou fazendo rimas tolas,
expresso o pensar verdadeiro e profundo.
Em palavras que poucos compreendem,
grito ao mundo: me deixa ser feliz!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Vivendo Arte

É que eu me faço de arte
e não vou me distinguindo.
Não sei escolher, só me entrego
e vai me fazendo bem.
E mesmo que eu não tenha voz,
eu canto.
Mesmo que eu erre o passo,
eu danço.
Mesmo que não gostem da minha letra,
eu escrevo.
Faço por mim, no meu cantinho e jeito,
vou para sorrir e seguir a vida.
Vou para espalhar amor
em tudo isso que marca
e me marca.
Mas eu sei também me retirar,
para deixar o brilho de quem deve brilhar,
então brilha!
E eu me levanto para aplaudir,
do mesmo jeito que caminho para criar,
e expressar-me no que me faz eu.

Não Fragilizem a Menina Amante!

Menina, a tua vida está quebrando feito espelho
7 anos de azar não são suficientes.
O teu compasso não enfeita o movimento.
Acorda o vento e chama ele pra viver.
Diz pra ele te levar e te ensinar como balança.
Pede ao sol o teu sorriso,
que aprenda a iluminar.
Irradiando nova força,
se abana com o leque.
Respira um novo ar, respira novas formas.
O teu corpo e a tua alma
pedem amor e paciência.
E o mínimo detalhe faz teu pranto transbordar.
Já me vi nessa história,
só te mostro o meu caminho
e te digo como cola.
Porque cada um cola com a cola
que melhor colar sua própria vida.
Mas refaz os teus pedaços
e canta junto com o cantor,
toca com o baterista
e do teu jeito grita e enlouquece.
Enlouquece de alegria, enlouquece de amigos.
Mostra a força ao agressor,
mostra força ao teu reflexo.
Nada mais é preciso
do que o teu próprio amor por teu próprio.

Perdoar-me e Reformular

No longo percorrer
fui me largando dos preconceitos,
raiva, rancor,
até os amores mais loucos que eu.
Hoje não sou mais tristeza,
meu coração foi se aquietando.
É que eu fui cicatrizando,
e aprendendo o bom da vida.
Fazer de todo dia um lindo dia,
e mesmo que as nuvens cubram o sol,
há beleza aí a ser admirada.
Ainda sou amor,
mas não me descontrolo, não me  perco.
Leia-me antes e me veja a confusionar-me.
Leia-me agora e me veja até sem inspiração poética.
Pois, felizmente, nada mais é algo.
Não imploro mais por findadores,
valorizo-me.
E aprendi a ter perdão dentro de mim.
Não há mais palavras ríspidas e juras agressivas.
Há a paz que me constrói e me recupera
de todas as dores que um dia se fizeram existir.

Esse Guiar

Mergulha-me em insônia
Deixo me guiar em teu balanço
movimentar de todo dia,
nos quatro despertares da manhã
e levanto a admirar o sol.
Beijo a lua, vejo verde o céu,
seu iluminar de brilho não físico.
Sou meu momento de experimentação confusa.
Sou a entrada no que é reservado, futuro.
E o meu sonhar provoca lembranças antigas,
e é necessária a comprovação do conselho.
Vou de passo em passo,
buscar o meu ritmo.
Vou dançando a minha dança,
até criar a coreografia.
Vou me achar no meu perder,
vou desfazer as confusões.
Vou trabalhando no nosso conjunto,
esperando acontecer o que tem de ser.

Vida Outra Em Uma Vida

E onde estou agora?
Se tanto tempo já passou
e eu me coloco em outro tempo.
Desenvolvi meu coração,
banhei-me da minha ternura, do meu acalmar.
Não sinto mais o mesmo,
tão diferente me reler como uma outra vida.
E era.
Eu assim era outro ser
Do meu pensar formavam-se espinhos,
hoje forro-me de flores e perfume da brisa.
Ah, pensar pequeno e simples.
Pensar no dia e no sol raiando.
Sinto a energia,
transmito-me agora paz.
Vou me encontrando nos tropeços do caminho.

Coisas Antigas 17: Outra Vez


Veja só, quem está de volta ao seu lugar
o deus do Sol, o meu deus Rá,
ou apenas o anjo que sempre me encantou,
não importa o título.
És apenas tu,
aquele tão importante nessa minha vida
aquele que sempre me fez feliz
aquele sempre amei.
Sim, ainda te amo
e comprovo isto neste momento
em que o desejo de olhar em teus olhos outra vez
fica mais próximo de se tornar realidade.
Tu andas entre as pessoas e te destacas para mim
mas onde estás?
Estou cego que não te vejo aqui?
Ou apenas te escondes de mim?
Deixo os beijos, carícias e palavras de amor
apenas dentro de mim,
nas lembranças do que sempre quis,
se pelo menos puder te ver.
A última chance?
Talvez seja o momento
em que minha vida se decide
e os rumos tomados a seguir
podem não me agradar,
ou talvez possam.
Mas nada disso importa
se estiveres longe mim mesmo estando tão perto.
Não, não precisas dizer nada,
não tenha medo,
os meus olhos apenas pedem os teus esta noite.
Um única dia, um único momento,
um único segundo é tudo que te peço.
Venha para mim esta noite
Porque apenas preciso que as coisas sigam em frente
e de ti tudo isto depende
depende de ti que eu siga em frente.
Não suportaria um novo dia
se não ver o teu sorriso
aquele meu velho abrigo
que sempre me trouxe amor e paz.
Não peço um beijo
pois sei que não o terei.
Apenas espero te ter
outra vez.


01 de Março de 2011

Coisas Antigas 16: Fim


Ora, olhe para meus pés
Estão cansados,
percorreram um caminho
longo até aqui.
Quatro milhas todo dia,
todo dia, agonia,
pernas bambas, tantas,
dores.
Paro de respirar,
meu coração acelera,
sufoco
Olhe para mim, meus olhos,
estão secos, lágrimas já se foram,
morreram por terem ficado
tanto tempo presas.
Fim dos dias, pobres dias meus,
Fim dos tempos,
minha esperança morreu
de que um dia serias meu.
Meus poemas cheios de dor,
sem sentido, sem fim.
Solidão me persegue,
até que eu resolva parar.
Mas, céus,
por que ainda continuo?


17 de Outubro de 2010

Coisas Antigas 15: O Torturado


Misericórdia, senhores!
Mantenham-me longe desta dor.
Que seja um sonho
e que eu acorde nesse momento.
Cada minuto me tortura
e a dor é pior do que sentir a carne queimar
pela chama destruidora.
Desespero toma conta de mim, senhores!
Ouvintes!
Deuses!
Suplico, imploro por ajuda.
As minhas lágrimas já não são prova suficiente?
Oh, amado,
por que tens de ser tão duro comigo?
Desgrace-me, diga-me que não me ama,
mas não me tortura com o teu silêncio.
Estou aos teus pés, pise-me,
mas daqui não sairei.
Este é meu lugar,
estar onde tu estás.
Senhores, ouvintes e deuses,
roguem por mim.
Para que meu amor não seja jogado fora.
Para que a pessoa que amo valorize-o,
valorize-me,
queira-me além do sentimento,
queira viver tudo isso.


29 de Setembro de 2010

Coisas Antigas 14: Profecia


Eu vejo
o futuro que me é esperado
tudo aquilo que me foi negado,
a vida é difícil!
Eu vejo
muito além dessa profecia,
nem precisa de poder para saber
que nada daquilo me cairá na mão.
Espero
que nada disso dure muito tempo
que o meu tormento não se perca no tormento
de viver além do que me é devido.
Eu creio
que sou digno de dignidade
sou digno da verdade
de não me perder nessa ilusão.
Eu vejo o tempo passando,
vejo crianças correndo, gritando,
brincando, vivendo, crescendo,
sendo tudo aquilo que nunca fui.
Mas, oh céus, é tão ruim ser real,
ser aquilo que é, por detrás das
máscaras que o tempo nos coloca?
Eu vejo uma vida de sonhos,
alegrias
vejo minha felicidade,
utopia.
Vejo apenas essa profecia.
E tudo aquilo que me pertence
não é meu
mesmo que, de qualquer jeito,
eu seja teu,
reciprocidade é uma mentira.
Vida,
nessas palavras te prego,
minha culpa não nego,
mas também sou um refém.
Quero voltar a ser criança,
quero um dia o ser,
e poder gritar, viver,
brincar, correr,
sorrir, crescer.
Para que nada disso me engula,
para que o mundo veja que o natural
não é natural,
mas isso sim, ah, isso sim é.


21 de Setembro de 2010

Coisas Antigas 13: Oh! Tempo

O tempo é meu melhor amigo,
O tempo é o bandido
que me dá farelos para comer.
Livrai-me dos lugares cheios,
fiquemos neste vazio
onde o sofrimento é tudo
que nos acompanha.
Oh, estou só, falo sozinho
falo daquilo que está nos sonhos.
Oh, as profecias,
a vida as traz se durmo ou se não.
Senti o beijo,
doce ilusão que me amarga o peito,
seca as minhas lágrimas
em toda a sua falsa alegria.
Oh, hipocrisia!
Se eu a recrimino,
mais hipócrita sou eu,
pois também o sou.
Oh, tempo!
Por que tanta crueldade?
Sou uma pobre criança
de quem tiraram o doce.
Não, nunca o tive,
apenas foi algo que imaginei.
Dentro desse lugar escuro,
perco-me no vento,
esperando pelo meu destino.
Oh, solidão!
Estás aqui, eu a vejo,
mas vá embora e volte
com a minha recompensa,
a morte é algo muito mais divino.
Tudo que desejo, ser humano.
Tudo que me trará alívio.
Estarei aqui, como sempre,
olharei por ti, eu prometo,
mas devo ir antes de precisar
sugar toda a energia do mundo.


18 de Setembro de 2010

Coisas Antigas 12: Sociedade Robótica


Vozes que me tornaram mais forte
Quando escarraram o grito
de conselhos maldosos que matariam
o espírito antes fraco, anos passados.
Meu espírito, morto por uma morte maior, pior,
Une-se a mente madura e crescida
Em uma batalha de mortos-vivos.
Minha carne rígida, meu sangue fervente,
A mente abalada, porém. Recuperada.
Fortaleza digital, fortaleza imperial,
O que não esconde mais a verdadeira pobre formiga.
Formiga, nobre abelha rainha de
sua própria colméia criada.
Porque tudo que pode destruir mais
O espírito vazio, e tudo o que o destruiu
apenas foi e continua sendo o ser amado
e a solidão de estar sem ele.
As vozes vazias, invejosas, insignificantes, carentes,
Essas não causam mais mal
Para aqueles que tanto mal já absorveram em vida
E, depois de mortos, ainda estavam vivos,
Mesmo vivos para os olhos e mortos por dentro,
Com o coração partido e banhado em sangue.
O coração partido e banhado em sangue pelo ser amado,
Que o destrói com seu desprezo, ou ausência, ou inexistência.
Ou o amor existe e o coração partido que não o quer,
Pelo sofrimento de amor novamente, platônico,
Não correspondido.
Mas o que importa para ele é ter conseguido
não ficar à mercê de um falso bandido,
um ser repugnante e inferior clamando por atenção.
Alergia a tragédias.
Cientista ou fanático que diz que há algo errado comigo
não me afeta, sei que não há.
E nem mesmo a ciência diz mais tal coisa absurda.
Sou eu, na minha particularidade, sem grupos,
Sem títulos, sem rótulos ou estereótipos,
ser original.
Não sou fruto da sociedade hipócrita e robótica
em que sou forçado a existir e viver.
Perdoe-me os gêmeos feitos, robôs perfeitos,
Apenas não sou como vós
E me orgulho muito disso.


15 de Abril de 2011

Coisas Antigas 11: Relatos de Uma Vida Animal


Existiam em Ametsis apenas dois tipos de seres:
Os animais e os imaginários.
Desde antes de chegar naquele planeta,
sabia eu que seria classificado como um animal.
Tudo pareceu perfeito nos primeiros dias,
tudo era uma ilusão muito convincente,
mas como não pude ver antes?
Como precisei que descobrissem de onde tinha vindo
para ver que não me incluía naquela espécie também?
Snartib-Elag era o nome do meu reino,
mas ter vindo de lá não parecia ser o grande ponto.
Descobri que não havia sinceridade, intensidade.
Oh, animais, e na verdade nunca fomos de mundos diferentes,
Apenas vivíamos em dimensões diferentes de um mesmo espaço.
Sinto falta daquele povo, daqueles que nunca mais vi,
daqueles que nem mesmo sei o paradeiro.
Sinto falta das batalhas vencidas, assim como das perdidas também.
A guerra entre irmãos que sempre parava por um tempo,
Para que todos pudessem ser um só povo, sem importar a espécie, outra vez.
Qual ruim me é não ser de lugar nenhum mais.
Mas foi preferível viver afastado, desligar-me de toda a espécie
do que continuar lutando sob olhares estranhos.
E tal separação não me faz tanta diferença,
Pois quem não se identifica com tais povos,
os mortos,
apenas vive, vive assistindo toda a batalha em paz,
sem entender a importância de tudo aquilo,
se nunca foi de nenhum dos lados,
e entendendo, caso já tenha sido,
mas se sentindo cansado demais para reviver.
Era bom, lembro bem, mas é passado,
E o passado não se revive, é algo que apenas pode ser lembrado.
Sim, lembro com carinho de todos vós,
E os verdadeiros amigos continuarão comigo,
Entenderão esta decisão, e a vida seguirá em frente.
Para todos nós,
Pois sei que nem tanta diferença irei fazer,
Nem tanta falta minha ireis sentir.
Mas cada segundo, para mim, teve mesmo muita importância,
E os momentos bons jamais poderão ser esquecidos.


09 de Março de 2011