Traz-me no dia o teu sorriso,
tento guardar o teu perfume
e teu olhar que me aprofunda,
pois chega a noite
eu me aquieto,
mas não deixo de sentir
vontade de ti.
Estranho pensar
que estou pensando demais.
Talvez seja a ausência,
querer desfazer
esse estado de estar só.
Da falta de jeito sério,
companhia esperada,
desejada verdadeiramente.
O meu papel é deixar que o tempo
me desfaça e acompanhe,
traga meu aconchego,
sejas tu ou seja um ser
ainda estranho.
Mas bem que eu queria
sentir tua carne crua
apertando a minha.
Massageando,
mais que a minha pele,
o meu coração.
Vou continuar me calando mesmo assim,
de mim nada sairá.
De mim.
E de ti.
Se por acaso me quisesses.
Mas afinal,
do que estou falando mesmo?
Chega dessa história de usar
a segunda pessoa do singular
entre as minhas palavras.
Deixar que venha
é bem mais fácil
que escrever esse tipo de poema.
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