Eu vejo
o futuro que me é esperado
tudo aquilo que me foi negado,
a vida é difícil!
Eu vejo
muito além dessa profecia,
nem precisa de poder para saber
que nada daquilo me cairá na mão.
Espero
que nada disso dure muito tempo
que o meu tormento não se perca
no tormento
de viver além do que me é devido.
Eu creio
que sou digno de dignidade
sou digno da verdade
de não me perder nessa ilusão.
Eu vejo o tempo passando,
vejo crianças correndo, gritando,
brincando, vivendo, crescendo,
sendo tudo aquilo que nunca fui.
Mas, oh céus, é tão ruim ser
real,
ser aquilo que é, por detrás das
máscaras que o tempo nos coloca?
Eu vejo uma vida de sonhos,
alegrias
vejo minha felicidade,
utopia.
Vejo apenas essa profecia.
E tudo aquilo que me pertence
não é meu
mesmo que, de qualquer jeito,
eu seja teu,
reciprocidade é uma mentira.
Vida,
nessas palavras te prego,
minha culpa não nego,
mas também sou um refém.
Quero voltar a ser criança,
quero um dia o ser,
e poder gritar, viver,
brincar, correr,
sorrir, crescer.
Para que nada disso me engula,
para que o mundo veja que o
natural
não é natural,
mas isso sim, ah, isso sim é.
21 de Setembro de 2010
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