Respirar de todos os dias,
hoje me sinto triste.
Não, não vejo um motivo exato,
apenas os mesmos motivos de sempre.
Não, não há uma explicação exata,
apenas senti aquela antiga depressão.
Depressão de todos os dias, dia nenhum, dia talvez,
Dias sim e não.
Ontem me sentia tão bem, onda que me contagiava
pela boa sensação de me sentir com o poder sobre mim mesmo,
sentir que ninguém pode me controlar.
Ainda sinto isso, pois não passa da verdade,
Mas ainda tem o outro lado, o lado do meu coração,
O lado das minhas dores, angústias, lembranças,
Torturas, sofrimentos, tristezas,
amores desamorizados, perdidos,
Nunca tidos, sonhados, nunca realizados.
Sim, só isso me toma, arranca-me a força,
Arranca-me a alegria e a disposição.
Não, não estou hoje disposto a deixar
Que a minha auto-corda me leve.
Mas quem sabe de amanhã?
Vivo os dias, alguns melhores, alguns piores,
Sem ter a certeza de que conseguirei resistir,
seguir em frente, apenas viver, ir.
Sabe-se como meu coração sangra,
Sabe-se como estou ferido,
Sabe-se que posso me recuperar,
Sabe-se que não sei se consigo.
Essa variação dos meus sentimentos me desfaz,
Enlouquece-me, amedronta-me.
O que será de mim, oh, céus?
Céus?Quais céus?Céus?O que são céus?
O que isso importa?Importa?Não importa.
Nada disso importa agora, nem nunca.
Nestes tempos, vivo,
E o que me importa é se estou vivo,
O que me importa é continuar vivo.
Que o meu coração se reconstrua, então,
Sou humano, preciso dele.
Sofrimentos, sei que não acabam, não acabaram, nunca
acabarão.
Pois então bombeio o coração,
Respiro fundo,
Deixo que a vida siga o seu rumo.
Por enquanto.
Enquanto der. Enquanto for.
17 de Abril de 2011
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