Como és capaz, bicho de dor?
Fazer sentir pena de ti
o pobre ser que tanto machucou.
Ser humano, ter coração é o pior de todos os castigos.
Pois enquanto habito aqui na minha realidade,
o cruel animal, cobra peçonhenta,
consegue me fazer duvidar da certeza de estar certo.
Pois, sim, tu sabes que estou certo,
E como pode, então, querer enganar até a ti mesmo?
Maldita criatura, escorpião passando-se por formiga,
Que, aos olhos nus, até pode parecer frágil,
Mas, mesmo assim, ainda é possível perceber
Que nada disto és.
Eu percebo, sei da tua verdade.
Imunda.
Tua vida de obrigação não significa um verdadeiro
sentimento.
Pois bicho como tu nada sente,
Nem mesmo há um nome para descrever o que és.
Desprezo toma conta de mim ao pensar em dizer teu nome,
Pior que o tal temível bruxo, eterno.
Tranquiliza-te, caso penses nisto,
Nenhuma lágrima será derramada,
O teu adeus espero na janela,
E sorrirei, cuspirei no trem e festejarei por não haver
volta.
Talvez minhas palavras não sirvam de nada
para os pobres coitados que acreditaram em ti.
Talvez o meu túmulo se complete primeiro,
E então tu poderás sorrir por ter conseguido me vencer.
Mas é um tolo erro pensar que terás mesmo me vencido.
Pois, mesmo que eu caia, estarei erguido,
Estarei lembrado, reconhecido,
Serei sentido nem que seja por uma borboleta solitária.
Não serei vingado, tudo bem,
Talvez nem seja mais comentado, e sigo em frente com isso,
Porque sei quão perturbada tua vida se tornará,
Não te deixarei esquecer de tua culpa.
Maldita criatura.
E o meu escarro será espiritual,
mas queimará tua pele muito mais do que qualquer chama.
Essa batalha, individual,
nós dois sabemos, nunca terá fim,
mas acredite em mim quando digo,
no final de cada luta, será claro que eu prevalecerei,
pois a verdade que trago simplesmente é a verdade.
Pura.
31 de Março de 2011
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